sexta-feira, 4 de março de 2011

anjo caido


Um anjo caiu do céu
em meu colo.
Surpreso,
dei-lhe amparo.
De início pensei tratar-se
de uma distinção,
um aviso celestial
para um pecador arrependido.
Mas não me arrependera.
Quem sabe, 
a pouca fé do anjo
ou então manobras imperfeitas
de um anjo-aprendiz.
Ele estava de olhos cerrados.
Era jovem,
alvíssimo
como um floco de algodão;
numa das asas
trazia um ferimento
que sangrava o sangue 
dos homens.
Só então liguei os fatos
e descobri porque caíra:
os jornais anunciavam 
a abertura da temporada
de caça. E os ávidos caçadores
abatem tudo
que tem duas asas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário